Ricardo Terra Teixeira é o presidente da CBF desde janeiro de 1989. São mais de 21 anos à frente da entidade. Seu quinto mandato consecutivo terminou em 2007, mas foi prolongado, em virtude de um acordo, até o final da XX Copa do Mundo FIFA em 2014 que, como sabemos, será no Brasil, portanto, a presidência do Sr. Teixeira terá uma duração de no mínimo 25 anos. E por que ele ganhou tantos mandatos consecutivos e conseguiu ficar tanto tempo à frente de uma das entidades mais importantes do Brasil? Não é difícil responder, no entanto, antes, vamos analisar algumas hipóteses: (1) Seria porque não houve outros candidatos à presidência da CBF? (2) Ou porque ele é um administrador extraordinário e que, portanto deveria mesmo continuar comandando a confederação? (3) Ou ainda porque ele nunca teve rivais à sua altura? Bem, eu não conheço a competência administrativa do Sr. Teixeira, tampouco dos candidatos que disputaram as eleições com ele (se é que houve candidatos), no entanto, eu asseguro que ele conseguiu se reeleger tantas vezes, pelas mesmas razões que, por exemplo, o Sr. Hugo Chávez, também conseguirá se reeleger em seu país (com a possibilidade de reeleições "infinitas"): pelo uso da máquina que ele próprio administra. É difícil perder quando se "tem a máquina" – basta olhar em volta. Especialmente na área pública e, convenhamos amigos, a CBF é privada, mas em virtude de seu objeto - o futebol - na prática ela é pública.
Uma das principais ferramentas utilizadas pelo Sr. Teixeira para se manter no comando do futebol brasileiro chama-se Copa do Brasil, competição que ele e Eurico Mirando, então diretor de futebol da CBF, criaram. Cada agremiação esportiva tem direito a um voto na eleição do presidente da CBF e a Copa do Brasil é uma grande oportunidade para que muitos clubes (todos votantes) sem nenhuma expressão possam aparecer no cenário nacional. Bem, não é preciso dizer mais nada.
Agrava o fato de que o Sr. Teixeira foi a figura central de muitos escândalos ao longo desse período e, mesmo assim, continuou em seu cargo. Em 2000, Ricardo Teixeira prestou depoimento na CPI do Futebol: até 1996 a CBF apresentava lucro e naquele ano assinou um contrato com a Nike de 160 milhões de dólares e a partir de então começou a ter prejuízos, ano após ano. A entidade então tomou dinheiro emprestado de origem duvidosa, pagando juros muito mais altos do que o de mercado, em alguns casos de cerca de 43% a.a. Descobriu-se uma série de empresas suas ligadas transações irregulares. O Sr. Teixeira afirmou em depoimento na CPI que havia ganhado muito dinheiro investindo em ações, mesmo tendo falido neste ramo no início de sua carreira (só rindo). Também prestaram depoimentos Vanderlei Luxemburgo, Eurico Miranda e o empresário J.Hawilla. A Receita Federal autuou a CBF em R$ 14.408.660,80 por dívidas com o Fisco. Houve outros escândalos... Difícil enumerar.
Quanto à escolha do técnico Dunga logo após o fracasso de 2006, um colega de dentro da CBF disse que ele (o Sr. Teixeira) ficara impressionado com o desempenho e a aceitação do então técnico da Alemanha, o ex jogador Klinsmann, e viu em Dunga um "treinador” com características semelhantes. Grande motivo para escolher um técnico!!!!!
Como sempre diz o jornalista Juca Kfuri, acho que ainda "tomaremos muito chá de cadeira esperando a queda do Ricardo Teixeira".
Fonte: Wikipedia, Jornais e Revistas.
