No último domingo, dia 15 de outubro, eu assisti à entrega do prêmio IgNobel. Isso mesmo: prêmio IgNobel! Trata-se de uma imitação cômica, uma espécie de paródia, do famoso e conceituado prêmio Nobel. A premiação acorre todos os anos, desde 1990, e em 2006 aconteceu na prestigiada Universidade de Harvard. Os vencedores do IgNobel receberam os prêmios das mãos de verdadeiros vencedores do Nobel e cada um deles teve “exato” um minuto para o discurso de agradecimento. Esse minuto era “rigorosamente” controlado por duas garotinhas de oito anos de idade que ficavam próximas ao palco e, muitas vezes, recebiam mais atenção da platéia que os próprios premiados. A platéia, por sua vez, não parou um só instante de lançar aviõezinhos de papel sobre o palco que em determinados momentos ficava forrado e, não fosse pelas intervenções providenciais de um renomado professor da universidade, que periodicamente o varria, ficaria difícil prosseguir com a cerimônia.
A revista científica “Anais da Pesquisa Improvável”, instituição responsável pelo evento, premiou os estudos que, segundo seu próprio lema, “fazem as pessoas rirem e depois pensarem”.
Um dos estudos mais excêntricos apresentados este ano foi o do pesquisador, Francis M. Fesmire, da Escola de Medicina da Universidade do Tennessee. Ele desenvolveu uma técnica “infalível” para tratar soluços: "Massagem digital no reto” do paciente. Segundo o doutor no assunto, o temível exame de toque retal, para checar risco de câncer de próstata em homens, é capaz de curar crises de soluço.
Os trabalhos premiados são os seguintes:
Ornitologia: Ivan R. Schwab (EUA). Explicou por que pica-paus não sentem dor de cabeça.
Nutrição: Wasmia Al-Houty e Faten Al-Mussalam (Kuwait). Mostraram que besouros "rola-bosta" têm um gosto refinado. Eles escolhem as fezes que vão comer.
Literatura: Daniel Oppenheimer (EUA), pelo artigo "Conseqüências do amplo uso da erudição vernacular: problemas com o uso de longas palavras sem necessidade".
Paz: Howard Staleton (País de Gales). Inventou um dispositivo sonoro repelente de adolescentes.
Acústica: Lynn Halpern, Ranolph Blake e James Hillenbrand (EUA). Explicaram por que som de unhas arranhando lousa irrita.
Matemática: Nic Svenson e Piers Barne (Austrália). Calcularam quantas fotos são necessárias para que ninguém no grupo saia com olhos fechados.
Medicina: Francis M. Fesmire (EUA). Tratou soluços com "massagem digital no reto".
Física: Basile Audoly e Sebastien Neukirch (França). Descobriram por que espaguete seco ao ser dobrado se quebra normalmente em mais de dois pedaços.
Química: Antonio Mulet, José Javier Benedito, José Bon e Carmen Rosselló (Espanha). Estudaram a velocidade ultra-sônica em queijo cheddar.
Biologia: Bart Knols e Ruurd de Jong (Holanda). Mostraram que a fêmea do mosquito da malária é igualmente atraída por cheiro de queijo limburger e por chulé.