O cabo israelense Gilad Shalit, de 20 anos, foi seqüestrado no último domingo, 26/06 por comandos palestinos que conseguiram entrar na base israelense de Telem, vizinha da Faixa de Gaza, através de um túnel de aproximadamente um quilômetro de comprimento e nove metros de profundidade. Imediatamente após a ocorrência Amir Peretz, ministro da defesa de Israel, ameaçou com represálias duras caso o cabo seqüestrado não fosse posto em liberdade. A autoridade Palestina, no entanto, disse não possuir qualquer informação sobre os possíveis seqüestradores do cidadão israelense e, pelos meios de comunicação disponíveis, pediu a todos os grupos radicais que não o submetessem a maus-tratos. Não obstante, desde então, a pretexto de libertar o cabo, Israel lançou a operação militar “Chuva de Verão” e fez diversas incursões ao território palestino destruindo boa parte da infra-estrutura civil da Faixa de Gaza: reservatórios de água, usinas geradoras de eletricidade, etc. Hoje, inclusive, a força aérea israelense desferiu mais de dez ataques contra alvos governamentais na região. Nesses ataques, é importante dizer, as forças de Israel não sofrem qualquer resistência, já que sua capacidade bélica não pode, nem mesmo de longe, ser comparada à incipiente defesa Palestina.

 

Não obstante a crueldade e a covardia que são inerentes aos seqüestros, penso que essas ações de Israel não podem ser justificadas. Pelo contrário, são atos tão covardes quanto o dos seqüestradores do jovem cabo pois, da mesma forma, são dirigidos a quem não tem condições de se defender: o povo palestino. A torpeza dessas ações pode ser considerada como um crime de guerra o que, por definição é Terrorismo de Estado. Não me lembro de nada parecido com isso na história recente. Imaginem, leitores, se, por exemplo, a cada ação terrorista do IRA o Reino Unido tivesse reagido massacrando civis ou destruindo prédios e centrais elétricas em Belfast. O mundo teria se levantado; horrorizado. Causa-me estranheza a complacência dos meios de comunicação do mundo todo diante desse “desastre” que não é aceitável, especialmente em nossos dias.